
A Polícia Federal (PF) utilizou dados de registros de celulares e de entrada e saída do Palácio do Alvorada para avançar nas investigações relacionadas a uma minuta de decreto que previa medidas extremas, incluindo a prisão de Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), e a convocação de novas eleições após a derrota de Jair Bolsonaro (PL) na disputa de 2022.
Essas informações constam de um documento da investigação obtido pelo blog, revelando que a PF utilizou registros da movimentação no Alvorada e dados de Estações Rádio Base (ERB) para corroborar relatos e obter mais detalhes sobre os participantes das discussões sobre a minuta do decreto e as formas como eles se comunicaram.
O tenente-coronel Mauro Cid, que foi ajudante de ordens de Bolsonaro durante todo o mandato, revelou a existência da minuta à PF em sua delação premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo o documento, a partir dessas informações, a PF afirma que Bolsonaro estava ciente da existência da minuta, solicitou e fez ajustes no seu conteúdo, e a apresentou a militares também investigados por tentativa de golpe de Estado para manter o então presidente ilegalmente no poder. O decreto, no entanto, não chegou a ser publicado.
A PF considera agora uma prioridade ouvir Freire Gomes para confirmar a cronologia da minuta golpista.
Em uma reunião ocorrida em 19 de novembro de 2022, 20 dias após o segundo turno da eleição que deu vitória a Lula (PT), Bolsonaro recebeu no Palácio do Alvorada o assessor da presidência para assuntos internacionais, Filipe Martins, o advogado Amauri Saad e o padre José Eduardo de Oliveira e Silva.
Os três nomes aparecem nos registros de controle e de saída do Alvorada, assim como nos dados de seus celulares, no histórico das Estações Rádio Base (ERB) da região do imóvel.
Durante essa reunião, foi apresentada ao ex-presidente a minuta de decreto que detalhava diversos “fundamentos dos atos a serem implementados” em razão do que os apoiadores do presidente consideravam interferência do Judiciário no Poder Executivo. A minuta propunha a prisão de ministros do STF, incluindo Alexandre de Moraes, e a realização de novas eleições. Mauro Cid afirmou em sua delação à PF que, nesse encontro, Bolsonaro determinou ajustes na minuta, mantendo apenas a prisão de Moraes e a convocação de novas eleições.


