O objetivo é enganar drones, radares e sistemas de inteligência, fazendo o inimigo desperdiçar tempo, munição e recursos milionários em alvos falsos.

Notícias do Mundo – Na guerra entre Rússia e Ucrânia, nem tudo o que aparece nos vídeos de explosões ou nos radares inimigos é real. Para confundir o adversário, ambos os países têm recorrido a tanques infláveis, iscas de madeira, armamentos “2D” e bonecos com uniformes militares. O objetivo é enganar drones, radares e sistemas de inteligência, fazendo o inimigo desperdiçar tempo, munição e recursos milionários em alvos falsos.
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Um vídeo divulgado em 2023 por canais pró-Rússia mostrava um drone destruindo um suposto tanque ucraniano. Mas as imagens foram seguidas de outro registro, feito por soldados ucranianos, em que um militar ri diante dos destroços e afirma: “Eles atingiram meu tanque de madeira”.
Na linha de frente, as tropas da Ucrânia usam imitações de artilharia, caminhões, tanques e até radares. Entre as mais comuns estão réplicas do obuseiro M777, conhecido como “Três Machados”. Voluntários de grupos civis produzem as iscas, que custam cerca de 500 a 600 dólares (R$ 2.700 a R$ 3.200), mas conseguem atrair ataques de drones russos que chegam a valer 35 mil dólares (cerca de R$ 190 mil).
Um desses falsos M777, apelidado de Tolya, sobreviveu a mais de 14 ataques de drones kamikazes e ainda continua sendo usado, remontado com fita adesiva e parafusos.
Para tornar as iscas convincentes, soldados ucranianos recriam cenários realistas, incluindo marcas de pneus, caixas de munição e até banheiros. Em alguns casos, comandantes visitantes chegaram a ser enganados pelas réplicas.
Outra estratégia é substituir armas reais, como morteiros, por modelos falsos logo após o disparo. Assim, os russos atacam alvos que já não existem mais.
Réplicas russas
A Rússia também investe pesado no uso de iscas. Segundo o Exército ucraniano, metade dos drones Shahed usados nos últimos ataques eram falsos, feitos para sobrecarregar as defesas aéreas inimigas.
A empresa Rusbal, por exemplo, fabrica armamentos infláveis e dispositivos que simulam calor de motores, sinais de rádio e até reflexos de radar. Voluntários russos também produzem bonecos com uniformes militares e aquecimento artificial para enganar câmeras térmicas.
Estratégia antiga com tecnologia nova
O uso de dissimulações militares não é novidade. Durante a Segunda Guerra Mundial, tanques e aviões falsos foram usados pelos Aliados antes do Dia D. Hoje, com drones, radares avançados e armas de alta precisão, as iscas continuam desempenhando papel estratégico — mostrando que, mesmo na guerra moderna, a camuflagem ainda é decisiva.


