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“Governo só beneficia servidores pró-Bolsonaro”, critica sindicalista

O ano começa com uma crescente tensão entre o funcionalismo público e o governo. O congelamento de salários e a falta de disposição do Ministério da Economia em negociar inflamaram os ainda mais os ânimos. Não está descartada uma greve geral nas próximas semanas.

O secretário-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), Sérgio Ronaldo da Silva, adianta ao Metrópoles que será realizada na próxima sexta-feira (14/1) uma reunião de lideranças do funcionalismo para decidir os próximos passos da reação da categoria. A tendência é de recrudescimento.

“Entramos em 2022 com a determinação de que vamos construir um processo de mobilização para que o governo não faça uma seleção dos servidores, como ocorreu em 2019 com restruturação somente para militares. O governo só beneficia servidores da base pró-Bolsonaro”, declara o sindicalista.

O clima azedou após o Executivo insistir, às vésperas da aprovação do Orçamento de 2022, para que fossem alocados R$ 2,9 bilhões destinados a reposições salariais, exclusivamente, de policiais federais, rodoviários federais e agentes do Departamento Penitenciário.

“Governo só beneficia servidores pró-Bolsonaro”, critica sindicalista 2

O governo Bolsonaro vive período conturbado com alguns servidores públicos. Tudo começou depois que foi anunciado reajuste salarial para policiais, mas o aumento financeiro de outras categorias ficou de fora dos planos

Na imagem colorida, um homem está posicionado no centro. Ele uda terno e gravata em cor azul escuro, camiseta branca e está com a mão na cabeça enquanto olha para o lado inferior esquerdo

O aumento salarial para a área da segurança partiu de uma demanda do próprio presidente.

Na imagem colorida, o prédio do Ministério da Economia está retratado na imagem

No fim de 2021, antes da votação do Projeto de Lei Orçamentária (PLOA), o Ministério da Economia enviou um ofício ao Congresso Nacional pedindo que fossem reservados R$ 2,5 bilhões para reajustes salariais em 2022

Na imagem colorida, pessoas estão posicionadas à direita. Eles usam roupa preta com o nome da Policia Federal. Eles andam por um estacionamento de carros
Na imagem colorida. Um homem está posicionado no centro. Ele usa terno e gravata, tem cabelos curtos e grisalhos e segura microfone com as mãos. Ele está discursando

Em meio à repercussão, Bolsonaro chegou a afirmar que todos os servidores merecem aumento. Contudo, em nenhum momento especificou se outras categorias, além da segurança pública, receberiam o reajuste

Na imagem colorida. Um homem está posicionado no centro. Ele usa terno e gravata, tem cabelos curtos e grisalhos e olha atentamente para a frente

A pressão do funcionalismo público por aumento salarial tem preocupado a equipe econômica. O ministro Paulo Guedes, no entanto, não esconde que é contra qualquer reajuste

Na imagem colorida. Um homem está posicionado no centro. Ele usa terno e gravata, tem cabelos curtos e grisalhos e olha atentamente para a frente

De acordo com Guedes, o governo precisa “ficar firme”. “Sem isso, é Brumadinho: pequenos vazamentos sucessivos até explodir a barragem e morrerem todos na lama”, disse o ministro sobre o assunto

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O governo Bolsonaro vive período conturbado com alguns servidores públicos. Tudo começou depois que foi anunciado reajuste salarial para policiais, mas o aumento financeiro de outras categorias ficou de fora dos planos

Para Sérgio Ronaldo da Silva, a política do governo está criando uma segregação no funcionalismo público. “O governo tem agido com seletividade, deixando mais de 90% do funcionalismo com a remuneração congelada”, explica.

secretário-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), Sérgio Ronaldo da Silva
O secretário-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), Sérgio Ronaldo da Silva

Nas últimas semanas a temperatura na relação funcionalismo-governo aumentou. Servidores entregaram cargos de chefia, fizeram paralisações e interromperam serviços. Tudo para alertar o Ministério da Economia, chefiado por Paulo Guedes, e o Palácio do Planalto da insatisfação.

“A relação com o Guedes é muito ruim. Ele tem o funcionalismo como inimigo do Estado. Desde 2019 mandamos ofícios para o ministro e ele desconsidera, menospreza. Queremos discutir reajuste, concurso público. Só sabemos das decisões pela imprensa. Um desrespeito esdrúxulo”, salienta.

“Conflito”

Sérgio vaticina. “Quando uma das partes não quer negociar, a única saída que sobra é o conflito”, alerta sobre uma possível greve, como as que ocorreram em 2008, 2010 e 2012, por exemplo.

O sindicalista rechaça a visão de que o movimento é eleitoreiro, como tem sido classificado nos bastidores do governo. “Só queremos demonstrar que não aceitamos esse tipo de tratamento”, frisa.

A crise

Algumas categorias estão sem reajuste desde 2017. Aliado a isso, as discussões da reforma administra esgarçou ainda mais a relação entre o poder e os seus empregados.

Para este mês, estão marcadas paralisações nos dias 18, 25 e 26. Servidores do Banco do Brasil, do Banco Central, da Receita Federal, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), entre outros órgãos já se manifestaram contra o posicionamento do governo.

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