A entrada de novas variantes do coronavírus no Brasil e o relaxamento das medidas de proteção, associados à queda da imunidade conferida pelas vacinas, impulsionam a quarta onda da Covid-19 no país. No momento em que o vírus volta a circular com maior intensidade, aumentam também as chances de reinfecção — o número alto de pacientes diagnosticados mostra que muitas pessoas estão sendo contaminadas novamente.
Os mais de dois anos de pandemia mostraram que, além das complicações da doença, os pacientes podem sofrer por meses com as sequelas da síndrome pós-Covid, chamada de Covid longa. A boa notícia é que não existe uma relação conhecida entre a reinfecção e o aumento do risco de sofrer com os sintomas da condição a longo prazo.
“Para quem é reinfectado, o risco de ter Covid longa é menor, mas isso não significa que ele seja isento”, pondera a infectologista Ana Helena Germoglio.

Sem ter um nome definitivo, o conjunto de sintomas que continua após a cura da infecção pelo coronavírus é chamado de Síndrome Pós-Covid, Covid longa, Covid persistente ou Covid prolongada Freepik

Denominam-se Covid longa os casos em que os sintomas da infecção duram por mais de 4 semanas. Além disso, alguns outros pacientes até se recuperam rápido, mas apresentam problemas a longo prazo Pixabay


Um dos artigos mais recentes e abrangentes sobre o tema é de um grupo de universidades dos Estados Unidos, do México e da Suécia. Os pesquisadores selecionaram as publicações mais relevantes sobre a Covid prolongada pelo mundo e identificaram 55 sintomas principais iStock


Entre os 47.910 pacientes que integraram os estudos, os cinco principais sintomas detectados foram: fadiga, dor de cabeça, dificuldade de atenção, perda de cabelo e dificuldade para respirar Getty Images


A Covid prolongada também é comum após as versões leve e moderada da infecção, sem que o paciente tenha precisado de hospitalização. Cerca de 80% das pessoas que pegaram a doença ainda tinham algum sintoma pelo menos duas semanas após a cura do vírusFreepik


Além disso, um dos estudos analisados aponta que a fadiga após o coronavírus é mais comum entre as mulheres, assim como a perda de cabeloMetrópoles


Especialistas acreditam que a Covid longa pode ser uma “segunda onda” dos danos causados pelo vírus no corpo. A infecção inicial faz com que o sistema imunológico de algumas pessoas fique sobrecarregado, atacando não apenas o vírus, mas os próprios tecidos do organismo Getty Images


Por enquanto, ainda não há um tratamento adequado para esse quadro clínico que aparece após a recuperação da Covid-19. O foco principal está no controle dos sintomas e no aumento gradual das atividades do dia a diaGetty Images


Apesar de uma total recuperação da doença, estudos recentes da Universidade de Washington em Saint Louis, nos Estados Unidos, alertam que qualquer pessoa recuperada da Covid-19 pode sofrer complicações no ano seguinte à infecçãoGetty Images


Foram analisados os dados de 150 mil pessoas que tiveram o vírus para chegar às complicações mais comuns Getty Images


O risco de ter um ataque cardíaco, por exemplo, é 63% maior para quem já teve a infecção. A chance de doença arterial coronariana sobe para 72%, e para infarto, 52%Getty Images


Também chama a atenção dos cientistas o aumento da quantidade de pacientes com depressão e ansiedadeGetty Images


O estudo também registrou casos de Doença Arterial Coroniana, falência cardíaca, coágulos sanguíneos, batimentos irregulares e embolia pulmonarGetty Images




