×

Clima de guerra a 20 dias da posse de Lula eleva tensão em Brasília

As ruas do centro de Brasília se transformaram em um cenário de guerra, com carros e ônibus incendiados, explosões, tiros, bombas e um rastro de destruição por onde passaram manifestantes bolsonaristas na noite dessa segunda-feira (12/12). Segundo os bombeiros do Distrito Federal, sete veículos foram incendiados, o que inclui quatro ônibus totalmente consumidos pelas chamas e um parcialmente. Durante os atos de vandalismo, ninguém foi preso pelas forças de segurança.

Clima de guerra a 20 dias da posse de Lula eleva tensão em Brasília 1

Os protestos ocorreram no mesmo dia da diplomação do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Tribunal Superior Eleitoral e começaram após a prisão do cacique bolsonarista José Acácio Tserere Xavante. As manifestações violentas acendem um alerta, a 20 dias da cerimônia de posse do petista, marcada para 1º de janeiro.

A confusão começou quando bolsonaristas tentaram invadir a sede da Polícia Federal, na Asa Norte, após a prisão do indígena, determinada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes. Tserere Xavante é suspeito de incitar protestos contra o resultado da eleição em diversos locais da capital federal, como no Congresso Nacional, no Aeroporto de Brasília, nos shoppings e no hotel onde Lula e o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), estão hospedados.

A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) reforçou, inclusive, a segurança do local, que fica a poucos metros da sede da PF.

A tensão fez o futuro ministro da Justiça do governo Lula, Flávio Dino (PSB), convocar uma coletiva de imprensa para garantir que o presidente eleito está em “absoluta segurança” e tomará posse em 1º de janeiro de 2023. Após eclodir o protesto violento de bolsonaristas, as redes sociais foram tomadas por rumores de que Lula seria retirado do hotel em que está hospedado em Brasília – informação negada pela equipe do petista.

Na noite de segunda-feira, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), prometeu reforçar a segurança e prender os vândalos.

Bolsonaristas inconformados

Embora o confronto direto tenha emergido apenas nessa segunda-feira, o movimento de simpatizantes do atual presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), vem ganhando força desde o segundo turno das eleições. Bolsonaristas fecharam rodovias pelo país contra o resultado das urnas e, posteriormente, passaram a acampar próximos a quartéis-generais para pedir intervenção militar.

Em Brasília, manifestantes estão há mais de um mês em barracas montadas em frente ao Quartel-General do Exército para pedir intervenção das Forças Armadas no resultado das eleições.

Os mais extremistas têm defendido até o assassinato do presidente eleito, frequentemente repetindo a frase: “Ladrão não vai subir a rampa”. Um site do governo do Ceará sofreu um ataque hacker, onde foram veiculadas mensagens de tom golpista, pedidos de intervenção militar e de “morte a Lula.

Silêncio de Bolsonaro

Em meio às cenas de violência e vandalismo na capital federal, o presidente Jair Bolsonaro (PL) tem feito poucas declarações públicas desde o fim das eleições. Na semana passada, após mais de um mês em silêncio, o atual mandatário fez um discurso dúbio a apoiadores. O chefe do Executivo ainda não reconheceu abertamente a derrota nas urnas.

“Hoje, estamos vivendo um momento crucial, uma encruzilhada. Quem decide o meu futuro são vocês; quem decide para onde vão as Forças Armadas são vocês; quem decide para onde vai a Câmara e o Senado são vocês”, disse Bolsonaro a apoiadores no Palácio da Alvorada.

Sem dar detalhes, o mandatário acrescentou que está assistindo a “absurdos acontecendo” e assinalou: “Diferente de outras pessoas, vamos vencer”. Ele continuou: “Tudo dará certo no momento oportuno”. Mais cedo, após a diplomação de Lula e Alckmin, o presidente se reuniu com milhares de apoiadores em frente ao Alvorada.

O Metrópoles contatou a assessoria do Planalto e questionou se Bolsonaro emitiria algum pronunciamento sobre os protestos violentos, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

Facebook
WhatsApp
Twitter
Pinterest
Telegram

Artigos Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *