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Deputado Alberto Neto foi relator de MP que facilitou fraudes bilionárias no INSS, aponta reportagem do Estadão

Reportagem revelou que Alberto Neto foi o relator de uma medida provisória aprovada em 2021.

Deputado Alberto Neto foi relator de MP que facilitou fraudes bilionárias no INSS, aponta reportagem do Estadão 1

Notícias de política – O deputado federal Capitão Alberto Neto (Republicanos-AM), pré-candidato ao Senado em 2026, está no centro de uma denúncia grave: ele foi peça-chave na criação de brechas legais que permitiram a proliferação de fraudes bilionárias contra aposentados e pensionistas do INSS.

Reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo nessa segunda-feira (5) revelou que Alberto Neto foi o relator de uma medida provisória aprovada em 2021, durante a pandemia de covid-19, que enfraqueceu os mecanismos de controle sobre os descontos em folha nos benefícios previdenciários. A medida, apresentada como uma forma de “aliviar a burocracia” em tempos de crise sanitária, acabou servindo de base para um esquema massivo de cobranças indevidas.

Deputado Alberto Neto foi relator de MP que facilitou fraudes bilionárias no INSS, aponta reportagem do Estadão 2

Segundo apuração da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal (PF), a MP relatada por Alberto Neto permitiu que entidades representativas de trabalhadores rurais e aposentados, como a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e a Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Cobap), aplicassem descontos sem autorização prévia dos beneficiários. Com valores mensais baixos, muitas vezes inferiores a R$ 10, as cobranças passaram despercebidas por anos.

O rombo acumulado entre 2019 e 2024 já soma R$ 6,3 bilhões. O impacto foi especialmente severo no Amazonas, estado com expressiva população idosa e de baixa renda. Para muitos, cada centavo descontado sem consentimento significou menos comida na mesa ou mais dificuldade no acesso a medicamentos.

A medida que possibilitou essas irregularidades foi modificada por meio de uma emenda acatada por Alberto Neto. O texto original previa a suspensão da revalidação anual de autorizações para descontos até 2023. No entanto, um acordo político alterou o prazo para 2022, com possibilidade de prorrogação por ato administrativo — o que de fato ocorreu. A decisão retirou da legislação um dos poucos mecanismos de verificação que protegiam os beneficiários.

A explosão do esquema veio à tona em março deste ano, quando a Polícia Federal deflagrou uma megaoperação que mobilizou 211 mandados de busca e apreensão, seis prisões temporárias e sequestro de bens que superam R$ 1 bilhão. A ação ocorreu no Distrito Federal e em 13 estados, entre eles o Amazonas, epicentro político de Alberto Neto.

Outro lado

A reportagem do Portal AM POST procurou o deputado federal Capitão Alberto Neto, por meio de sua assessoria de imprensa, e ele negou a acusação.

“É leviana a tentativa de associar meu nome a esta máfia que atua no atual governo e prejudica milhares de brasileiros. Como relator do projeto, atendi a pedidos da sociedade para aguardar o termino da pandemia para iniciar os recadastramento, uma vez que os aposentados eram os grupos mais vulneráveis da pandemia.O objetivo era proteger e cuidar dos idosos. Em março de 2021, o estado de calamidade pública ainda estava em vigor e seria arriscado tirar idosos de casa para irem fazer o recadastramento. Assinei a CPI do INSS e reafirmo meu compromisso com a defesa dos aposentados e pensionistas, lutando para que sejam ressarcidos por toda a corrupção desencadeada neste governo“, disse o deputado.

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