Neymar prestou depoimento à Justiça espanhola nesta terça-feira, em meio ao julgamento do processo movido pela DIS sobre a transferência do atacante para o Barcelona, em 2013. O astro do PSG foi questionado sobre o processo que o fez escolher jogar no clube catalão e a assinatura de um acordo ainda nos tempos de Santos. Neymar afirmou que toda a negociação foi conduzida por seu pai e empresário.
Não participei da negociação. Sempre meu pai que cuidou. E sempre será. E eu assino tudo que ele me manda.”
— Neymar, atacante do PSG e ex-Barcelona
O pai de Neymar, que depôs na sequência do filho, confirmou a versão dada pelo jogador, de quem também é empresário. Neymar pai afirmou que o filho “sempre se preocupou em jogar futebol” e “sempre confiou” na gestão de seus direitos.
– Ele nunca participa de negociações. Isso não quer dizer que ele é alienado, pelo contrário. Nós fazemos a vontade dele. Nós trabalhamos. Criamos uma proteção com advogados tributários, comerciais, civis, para poder dar segurança não apenas para Neymar, mas para toda a família – afirmou
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Neymar e seu pai chegam a tribunal em Barcelona — Foto: Josep Lago/AFP
O depoimento
Neymar voltou ao tribunal em Barcelona um dia depois de ser dispensado pelo juiz de acompanhar todo o julgamento por conta dos compromissos como atleta. Ele foi o primeiro a falar nesta terça-feira e abriu agradecendo pela dispensa no dia anterior, quando afirmou estar cansado.
O jogador indicou que estava à disposição para falar e foi questionado sobre o promotor público se participou da negociação na qual assinou contrato com o Barça em novembro de 2011. Ele primeiro afirmou não se lembrar. Depois, perguntado novamente diante de detalhes do documento, ele declarou que “assina tudo” que o pai manda”.
Na sequência, Neymar foi perguntado se havia outros interessados na sua contratação, além do Barcelona. Ele respondeu apontando que sabia dos rumores e que havia outros clubes que o desejavam, mas que sempre teve o sonho de jogar no Barcelona – e que seu coração “pedia o Barça”.
– O momento que eu decidi ir para o Barcelona foi 2013. Foi quando decidi sair do Santos. E quando eu decidi o time que era um sonho de criança.
Após a promotoria, foi a vez da advogada de defesa falar com Neymar. Ela fez apenas duas perguntas, questionando a idade de Neymar em 2009 e se em 2011 ele havia viajado à Espanha. O jogador disse “Acho que não”, e ela encerrou os questionamentos.
Então, foi a vez do pai de Neymar ser chamado a falar. Ele foi questionado pelo Ministério Público sobre que tipo de empresa era a NN Consultoria, e respondeu que trata-se de uma empresa que agencia atletas, músicos e outras personalidades brasileiras.
Ao ser perguntado especificamente sobre o contrato assinado em 2011, que ligaria Neymar ao Barça a partir de 2014, ele confirmou que assinou o documento na condição de representante da empresa e de Neymar. Mas ele afirmou que não era um contrato de venda para o Barça.
– Não teve uma compra. Foi um acordo de prioridade. para que, se o neymar saindo livre em 2014, sem multa no contrato, ele poderia assinar como agente livre – afirmou o pai de Neymar.
Ele também apontou que havia uma carta do Santos autorizando a negociação com o Barcelona, e que ele e o atleta não precisavam comunicar à DIS tal processo – esta seria responsabilidade da DIS. O acordo de prioridade, segundo Neymar pai, dizia que se Neymar estivesse livre de vínculo com o Santos, poderia assinar contrato com o Barça.
O pai do jogador afirmou que não tem direito de intervir nos direitos econômicos de Neymar e, ao ser perguntado se o Real Madrid fez uma proposta entre 2011 e 2013, indicou que o clube madrilenho fazia propostas por Neymar desde 2009.
O MP, então, questionou o pai de Neymar sobre o aumento salarial, pagamento de luvas e direitos de imagem não previstos no contrato original, que somariam quase 20 milhões de euros a mais que o previsto. Ele respondeu:
– Luvas são normais no futebol. Meu trabalho é conseguir o melhor para o jogador financeiramente. É uma negociação comercial entre clube e agente do jogador.
Mais uma vez, o MP questiona a diferença de valores entre o acordo de 2011 e o salário recebido a partir de 2013. O pai de Neymar diz que “as coisas mudaram” e que “em 2011 era uma promessa, e em 2013 era uma realidade”.
Depois, Neymar pai diz que ele tomava as decisões da empresa, e que, apesar da mãe do jogador, Nadine, ser sócia, ela só tinha “posição representativa e administrativa”. Então, vieram os questionamentos de advogados, que perguntaram sobre o contexto da renovação do contrato de Neymar com o Santos e a negociação do acordo com o Barcelona.
O pai de Neymar disse que o processo começou em 2010, quando vários clubes queriam o jogador, e o Chelsea chegou a fazer uma proposta. Segundo ele, o Santos ofereceu parte dos direitos do jogador à DIS, e depois tentou comprar de volta, e a empresa recusou. Em 2011, o clube brasileiro mais uma vez teria decidido não vender Neymar naquele momento. Foi quando teria surgido o projeto para negociação futura do jogador.
– Decidimos deixar o Neymar até o final do seu vínculo contratual. E poder ter a possibilidade de fazer uma gestão de carreira até ele chegar na Europa. Nosso desafio era fazer ele aprender a língua. Durante esse período até 2014 achar um ambiente saudável para ele na Europa, um clube que fosse bom para ele. E eu sabendo da vontade do meu filho, que era o Barcelona. Decidimos que a gente iria fazer essa gestão até a final. Só que chega em 2013, o Santos e o Barcelona decidem antecipar essa venda. O Santos, pressionado pela oposição dentro do clube, me pede que eu deixe que o Santos possa vender o Neymar. Faltando meses para o vínculo contratual terminar, a gente decide ajudar o Santos para que eles também pudessem vender. E nós tínhamos a possibilidade de antecipar a vontade de Neymar.
O pai de Neymar depois foi questionado sobre o objetivo da empresa NN Consultoria e quando foi modificada a porcentagem do Santos com relação aos direitos do jogador. Ele garantiu que Neymar nunca recebeu algo pelo acordo com o Barcelona em 2011 e explicou a carta liberatória do clube brasileiro para negociar com equipes da Europa.
– Nós criamos depois que o Santos não queria vender o Neymar. O Santos não quis vender para ninguém. Tudo bem. Então eles me deram uma carta para que eu pudesse buscar algum clube que fosse bom para o Neymar após 2014. O Santos disse: “Eu não quero mais esses assédios. Queremos que ele fique até 2014”. Eu disse que o Neymar tinha um sonho de ir para a Europa. E o Santos topou que eu negociasse, mas só depois da Copa de 2014. E nós concordamos, porque queríamos que ele fosse para a Europa depois da Copa. Mas eu queria documentar isso. Eu não poderia ir para o mercado se não tivesse a permissão do Santos. Por isso a carta foi criada. E não foi criada por mim, foi criada pelo Santos.



