O Exército de Israel usou as redes sociais para provocar a Organização das Nações Unidas (ONU) ao mandar uma agência da entidade pedir combustível para o Hamas, grupo extremista que invadiu o território israelense no último dia 7 de outubro.

A conta oficial das Forças Armadas de Israel na rede social X, antigo Twitter, respondeu uma publicação do perfil da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) na plataforma com uma imagem de supostos tanques de combustíveis que estariam na Faixa de Gaza, sob o controle do Hamas.
“Estes tanques de combustível estão dentro de Gaza. Eles contêm mais de 500.000 litros de combustível. Pergunte ao Hamas se você pode ter alguns”, escreveu o perfil israelense, respondendo a um alerta de que a agência está perto de perder as condições de atuar.
Confira a postagem:

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A resposta de Israel acontece após o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmar que “o ataque de Hamas não aconteceu por acaso” e destacar que o conflito entre Israel e a Palestina se dá desde 1948, quando o Estado de Israel foi instaurado pela própria ONU sem o consentimento dos árabes que viviam na região.
“É importante reconhecer que os atos do Hamas não aconteceram por acaso. O povo palestino foi submetido a 56 anos de uma ocupação sufocante. Eles viram suas terras serem brutalmente tomadas e varridas pela violência. A economia sofreu, as pessoas ficaram desabrigadas e suas casas foram demolidas”, declarou Guterres.
A fala do secretário-geral não repercutiu bem entre as autoridades israelenses. O embaixador de Israel na ONU, Gilad Erdan, chegou a pedir que Guterres renunciasse imediatamente.
“O discurso chocante do secretário-geral da ONU na reunião do Conselho de Segurança, enquanto foguetes são disparados contra todo Israel, provou conclusivamente, sem qualquer dúvida, que o secretário-geral está completamente desligado da realidade na nossa região e que ele vê o massacre cometido pelos terroristas nazistas do Hamas de uma forma distorcida e imoral”, escreveu Erdan, na rede social X.

Moradora caminha perto dos escombros de edifícios residenciais após os ataques aéreos israelenses no bairro de al-Zahra, na Faixa de Gaza Mustafa Hassona/Anadolu via Getty Images

Vista dos escombros de edifícios residenciais após ataques aéreos israelenses no bairro de al-Zahra, na Faixa de Gaza, em 19 de outubro de 2023 Mustafa Hassona/Anadolu via Getty Images

Uma equipe do serviço de emergência palestino resgata uma vítima em um prédio destruído durante ataques aéreos israelenses no sul da Faixa de Gaza em 19 de outubro de 2023 em Khan Yunis Ahmad Hasaballah/Getty Images

Vista dos escombros de edifícios residenciais após ataques aéreos israelenses no bairro de al-Zahra, na Faixa de Gaza, em 19 de outubro de 2023 Mustafa Hassona/Anadolu via Getty Images

Pessoas segurando bandeiras palestinas se reúnem em frente à Embaixada de Israel para protestar contra o bombardeio do Hospital Batista Al-Ahli de Gaza, em Amã, Jordânia, em 18 de outubro de 2023 Laith Al-jnaidi/Anadolu via Getty Images

Ondas de fumaça sobem sobre a Faixa de Gaza durante o bombardeio israelense enquanto os combates entre as tropas israelenses e os militantes do Hamas continuam Ilia Yefimovich/picture Alliance via Getty Images

Uma menina caminha entre os escombros de edifícios residenciais após ataques aéreos israelenses no bairro de al-Zahra, na Faixa de Gaza, em 19 de outubro de 2023 Mustafa Hassona/Anadolu via Getty Images

Pessoas comparecem à cerimônia fúnebre dos palestinos que foram mortos em ataques aéreos israelenses em Khan Yunis, Gaza, em 19 de outubro de 2023 Mustafa Hassona/Anadolu via Getty Images
Ajuda humanitária
A ONU tem cobrado a autorização para entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza e um cessar-fogo imediato na região. Guterres defende a necessidade de ajudar os feridos e tratativas para negociar a soltura de reféns.
“Para aliviar este imenso sofrimento, facilitar a distribuição das ajudas de maneira mais segura e facilitar a soltura dos reféns, repito meu apelo por um cessar-fogo humanitário imediato”, declarou Guterres.
Três comboios com ajuda humanitária entraram em Gaza por meio da fronteira com o Egito na última segunda-feira (23/10). No entanto, não há autorização para a entrada de combustíveis na região.
“Sem combustível, não haverá água, nem hospitais e padarias funcionando. Sem combustível, a ajuda não chegará às pessoas que mais necessitam. Sem combustível, não haverá assistência humanitária”, afirmou o comissário-geral da UNRWA, Philippe Lazzarini.


