O presidente da Rússia, Vladimir Putin, se reuniu, neste domingo (27/2), com o ministro da Defesa, Serguei Choigu, e do Estado Maior, Dmitry Yuryevich Grigorenko, no Kremlin. No encontro, o mandatário ordenou que os ministros colocassem as forças nucleares em “regime especial de alerta”
Na avaliação de Putin, as sanções impostas pelos países ocidentais são “ilegítimas”. Durante a madrugada (horário de Brasília), as tropas russas entraram na segunda maior cidade da Ucrânia, Kharkiv.
“Os países ocidentais não estão apenas aplicando sanções econômicas nada amigáveis. Seus líderes de Estado têm feito pronunciamentos agressivos sobre nosso país. Por isso, ordenei que coloquem as forças de dissuasão da Rússia em regime especial de alerta”, afirmou o presidente.
O gesto de Putin é uma resposta às sanções de países do Ocidente impostas à Rússia, que mesmo assim tem apresentado condições para driblar as medidas restritivas exigidas. A ameaça em apelar para armas nucleares, no entanto, ligou um alerta para o efeito catastrófico que o uso do aparato com grande potencial letal e destrutivo pode causar.
UA reage
A comunidade internacional reagiu minutos após o anúncio de Putin. Órgãos de segurança dos Estados Unidos já monitoram a situação.
Another war crime of the #RussianFederation.
Vasilkov oil depot.#Vasilkov #UkraineWar #UkraineUnderAttac #RussiaInvasion pic.twitter.com/BXFBtgNjlf
— KyivPost (@KyivPost) February 26, 2022
A Casa Branca, sede do governo americano, reagiu à determinação e disse que a medida “obedece a um padrão de fabricação ameaças que não existem”.
“A Rússia nunca esteve sob ameaça da Otan”, disse o governo americano. Os americanos também disseram que estão abertos a dar mais assistência aos ucranianos. Otan é uma aliança militar de defesa liderada pelos Estados Unidos.
A embaixadora dos Estados Unidos na Organização das Nações Unidas (ONU), Linda Thomas-Greenfield, fez alertas sobre o risco da media.
“Putin colocar as armas nucleares em alerta, mostra que o líder russo está escalando o conflito de uma maneira que é inaceitável”, criticou.
A Otan anunciou mais apoio à Ucrânia. O secretário-geral da entidade, Jean Stoltenberg, fez um breve pronunciamento logo após o anúncio de Putin.
Repercussão
Por meio do Twitter, o pesquisador Pavel Podvig, especialista em estudos sobre a força nuclear russa, afirmou que a fala de Putin é uma “clara e explícita ameaça nuclear”.
“Isso me deixa preocupado. O Kremlin não tem boas saídas neste momento e está olhando para uma ameaça ao estado atual”, pontuou o especialista.
Yes, it was a very explicit nuclear threat: “the consequences will be such as you have never seen in your entire history” https://t.co/DV2ZpvbM4R This all makes me nervous. Kremlin has no good off-ramps at this point and is looking at an existential threat to the current state https://t.co/x6JQrQMGE0
— Pavel Podvig (@russianforces) February 27, 2022

Fumaça é vista subindo por trás de edifícios após bombardeios em 27 de fevereiro de 2022 em Kiev, Ucrânia. Explosões e tiros foram relatados em torno de Kiev, enquanto a invasão da Ucrânia pela Rússia continua. A invasão matou dezenas de pessoas e provocou ampla condenação de líderes americanos e europeus

O mais jovem membro do parlamento ucraniano, Sviatoslav Yurash, de 26 anos, é visto em uma rua com sua arma para defender Kiev, quando os ataques da Rússia à Ucrânia entraram no quarto dia em Kiev, Ucrânia, em 27 de fevereiro de 2022


Uma visão dos danos devido ao conflito armado entre a Rússia, Ucrânia na região de Donetsk sob o controle de separatistas pró-russos, leste da Ucrânia em 27 de fevereiro de 2022


Militares ucranianos patrulham durante um toque de recolher enquanto as forças russas continuam avançando no terceiro dia em Kiev, Ucrânia, em 27 de fevereiro de 2022


Militares ucranianos patrulham durante um toque de recolher enquanto as forças russas continuam avançando no terceiro dia em Kiev, Ucrânia, em 27 de fevereiro de 2022




