Grupo movimentou milhões, ameaçou vítimas e usava empresas de fachada para lavar dinheiro; suspeitos seguem foragidos

Operação Tormenta revela esquema milionário de agiotagem no Amazonas, com extorsões contra servidoras, empresas de fachada e ligação com crimes violentos; tenente da Aeronáutica está entre os presos.Notícias de Polícia – A segunda fase da Operação Tormenta revelou novos detalhes de um esquema milionário de agiotagem, extorsão, roubos e lavagem de dinheiro que atuava no Amazonas, tendo como principais alvos servidoras públicas.A operação, conduzida pela Polícia Civil do Amazonas, resultou na prisão de cinco suspeitos, entre eles o tenente da Aeronáutica Caique Assunção dos Santos, apontado como um dos operadores do grupo criminoso
Alvos eram servidoras de tribunais
As investigações começaram em janeiro deste ano e identificaram que o grupo atuava de forma estruturada, oferecendo empréstimos ilegais com juros abusivos que podiam ultrapassar 50% ao mês.
As vítimas eram, em sua maioria, mulheres que atuam em órgãos como o Tribunal de Justiça do Amazonas e o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas.
Além da cobrança abusiva, os criminosos praticavam extorsão e se apropriavam de bens das vítimas, como veículos, joias, eletrônicos e até imóveis.
Em alguns casos, o grupo chegava a assumir o controle de contas bancárias das vítimas, utilizando aplicativos para movimentar salários e valores recebidos.
Esquema sofisticado e violento
Segundo a polícia, os investigados atuavam em núcleos interligados, repassando dívidas entre si para aumentar os juros e manter as vítimas presas ao sistema.
As apurações também apontam que o grupo chegou a monitorar vítimas e planejar ataques contra veículos oficiais do Judiciário.
Mesmo após prisões na primeira fase, deflagrada em fevereiro, integrantes continuaram atuando por meio de intermediários, mantendo ameaças e cobranças.
Lavagem de dinheiro e empresas de fachada
Para ocultar os valores obtidos ilegalmente, o grupo utilizava empresas de fachada. Pelo menos seis foram identificadas e tiveram bloqueios judiciais.
Uma das empresas investigadas movimentou mais de R$ 3,3 milhões, segundo dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
O esquema como um todo pode ter movimentado valores superiores a R$ 150 milhões.
Prisões, apreensões e foragidos
Durante a nova fase da operação, foram apreendidos:
Armas de fogo e munições
Dinheiro em espécie
Documentos e contratos fraudulentos
Celulares e computadores
Veículos de luxo
Além do tenente, outros quatro suspeitos foram presos. Seis investigados seguem foragidos.
A prisão do militar ocorreu em um condomínio de alto padrão no bairro Ponta Negra, em Manaus. Ele também é investigado por tentativa de homicídio registrada em fevereiro na zona norte da capital.




Crimes investigados
Os envolvidos poderão responder por:
Associação criminosa
Extorsão
Roubo majorado
Lei de usura (agiotagem)
Falsidade ideológica
Lavagem de dinheiro
Porte ilegal de arma de fogo
A polícia solicita que a população colabore com informações sobre os foragidos, com garantia de anonimato.


